Mais proteína = Mais massa muscular?

Na realidade, se o objetivo é aumentar a massa muscular é muito mais inteligente aumentar as quantidades de carboidratos do que de proteína.

A síntese proteica muscular é refratária, isso significa que vai chegar a um determinado ponto e não importa quantos aminoácidos estejam disponíveis, a síntese proteica começa a cair.

Por isso existem as recomendações nutricionais, as famosas diretrizes, que para praticantes de exercícios físicos é de no mínimo 1.6g/kg de peso corporal, ou então, 2 a 2.2 g/kg quando se trata de exercícios resistidos (com cargas). Para indivíduos naturais.

Isso significa que essa quantidade de proteína é suficiente para fornecer aminoácidos para síntese de todos os tecidos do corpo humano, inclusive, massa muscular. Claro, considerando um indivíduo consumindo calorias suficientes.

O que acontece com o excedente?

Depende do estado metabólico do indivíduo.

Se está em eucaloria (quantidade calórica para manter o peso) ou hipercaloria (quantidade calórica para aumentar o peso) os aminoácidos excedentes passaram por um processo de desaminação, ou seja, seu grupo amino será retirado e excretado como ureia.

O esqueleto de carbono resultante desses aminoácidos será metabolizado no ciclo de krebs para a formação de ATP (energia), assim como aconteceria com a oxidação dos carboidratos. Nesse mesmo sentido, há a possibilidade de lipogênese, ou seja, serem estocados como gordura. Realmente, é uma via difícil de ser priorizada, entretanto o caminho metabólico existe e mesmo que alguns profissionais neguem, os livros de fisiologia (Guyton, McArdle)  e bioquímica (lehninger) exibem a possibilidade de aminoácidos serem armazenados como gordura, e, também, como glicogênio pelo simples fato de gerarem acetil coa. Síntese de glicogênio é ainda menos favorecida.

Isso considerando um indivíduo com superávit calórico.

Uma pessoa com dieta de baixa calorias e, principalmente baixas em carboidratos, terá um caminho diferente. Os aminoácidos excedentes serão utilizados para gerar glicose por meio da gliconeogênese. Basicamente, inclusive os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), serão transaminados em Alanina, levados ao fígado, desaminados (tirando o grupo amino) e convertido em glicose. Outros aminoácidos também podem ser substrato para gliconeogênese, porém, a taxa de gliconeogênese hepática a partir da Alanina é muito maior do que a de qualquer outro aminoácido.

Inclusive, com um ciclo determinado Ciclo Glicose-Alanina. Onde a glicose no músculo é convertida em piruvato, que é transaminado em Alanina, levado a corrente sanguínea, captado pelo fígado e convertido em glicose novamente. Então, a glicose que o indivíduo deveria estar consumindo, está sendo produzida pelo fígado. Em caso de jejum, dietas restritas ou exercícios de longa duração, a fonte de aminoácidos para gerar glicose vem da degradação da massa muscular.

Por isso, dieta low-carb e exercícios de alta intensidade não combinam.

 

Abs, Lincoln Almeida.

 

HALL, John Edward; GUYTON, Arthur C. Guyton & Hall tratado de fisiologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2017.  – pg 880

ELSON, David L.; COX, Michael M. Lehninger principles of biochemistry. 6th ed. Basingstoke: Macmillan Education, 2013

HARPERBioquímica Ilustrada. 26 ed.

Mitchell et al. Human skeletal muscle is refractory to the anabolic effects of leucine during the postprandial muscle-full period in older men. Clin Sci. 2017

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